13.2.07

Não compreendo

Li agora, no blogue deste senhor, que me habituei a admirar por me parecer transpirar inteligência e humor, um post aconselhando e enumerando formas de o Estado arranjar dinheiro para financiar o aborto legal. Este post:

Diz o professor doutor Gentil Martins...
... que não há dinheiro no Sistema Nacional de Saúde para lidar com a pressão que a liberalização do aborto vai exercer sobre os serviçõs de saúde. Ai não há dinheiro? Arranje-se! Como? Diminua-se os ordenados, despeça-se pesssoas, acabe-se com os subsidios e as ajudas aos jovens e às empresas e a essa gente e a essas coisas assim, aumente-se o valor a pagar por outros serviços do Estado (façam-se mais portagens, por exemplo) e do Sistema Nacional de Saúde (aumente-se as taxas moderadoras, por exemplo, ou estabeleçam um preço o mais próximo possivel do valor real do acto médico aborto, outra alternativa), venda-se as empresas em que o Estado ainda tem participação.... bem, é só escolher.

A não ser que ironize, ou que goze, ou que haja algo subliminar que não entendo, concluo tristemente que o post, não lhe diminuindo a inteligência patente noutros, revela que a mesma pode conviver com a mimalhice. É impossível que este senhor tenha contas para pagar.

Global Village

Não parece ridículo que duas pessoas que dificilmente, ou a contragosto, se sentariam no mesmo banco de autocarro, ou trocariam duas palavras na fila de supermercado, façam parte muito provável daquelas que já trocaram muito mais que simples cumprimentos ou palavras de circunstância num qualquer chat electrónico?

7.2.07

Móvel Mobília

Móvel Mobília era um móvel.
Móvel Mobília era um móvel,
Mas apenas quando novel,
Agora tornou-se mobília.

Móvel Mobília era afável.
Móvel Mobília era afável,
Quando a vida não era estável
E o estranho a sua família.

Móvel Mobília não era altivo.
Móvel Mobília não era altivo,
Lá longe mantinha-se vivo,
Granjeando simpatia.

Mas Móvel Mobília parou.
Sim, Móvel Mobília parou.
Assim que arraiais assentou,
Esqueceu toda a filia.

Móvel Mobília tem lugar marcado.
Móvel Mobília tem espaço reservado.
Não roga, é tácito, é rogado.
Não vá fugir-lhe a supremacia.

Móvel Mobília era um móvel.
Móvel Mobília era um móvel,
Mas apenas quando novel.
Agora tornou-se mobília.

6.2.07

Cãs

Estes senhores visitaram-me a propósito de cabelos brancos.
Um grande amigo. Dois metros de amizade. The big guy in the drums.
Um bigode amigo. Sentido estético supralabial e muito sentido de humor.
Um desconhecido amigo que disse "Cãs que ladram, não mordem..."
Obrigado.

2.2.07

Pode pagar ou impugnar III

Impugnei. Deu trabalho. Não paguei.

Viva a DGCI! Viva a Repartição de Finanças Viseu-2!
Nem tudo é mau. Impugnei por escrito uma coima que me foi aplicada injustamente, embora inocentemente, pela Brigada Fiscal. Antes disso, por telefone, um funcionário da repartição em causa aconselhou-me, simpática e competentemente, sobre as minhas opções e possíveis procedimentos. Nada perdendo, tentei a sorte e fui compreendido. Espectáculo! Acredito um pouco mais nas instituições. E na boa-vontade.



"«Todos os usos da palavra a todos» parece-me um bom lema, de belo som democrático. Não para que todos sejam artistas, mas para que ninguém seja escravo."

Gianni Rodari, Gramática da Fantasia - Introdução à Arte de Inventar Histórias

1.2.07

Fragmento

"Se tivéssemos também uma Fantástica, tal como temos uma Lógica, descobrir-se-ia a arte de inventar."

de Novalis, por meio de Gianni Rodari, em A Gramática da Fantasia - Introdução à Arte de Inventar Histórias