E desta
"... e que a erudição conventual, nos termos da qual se esforçava por forjar uma filosofia estética, não era mais apreciada pela era em que vivia do que a gíria subtil e curiosa da heráldica e da falcoaria."
Idem.
"...todavia, doía-lhe pensar que nunca passaria de um tímido convidado no festim da cultura mundial..."
James Joyce, Retrato do Artista Quando Jovem, Colecção Mil Folhas, pp. 179
O sinal aberto do canal tem-me feito gastar algum tempo. Demasiado.
Alguns dos pros actuais do skate ainda não eram nascidos quando eu dei os primeiros passos.
Em 1985 não havia skateparks em Portugal. A cena era andar.
Com 14 anos, o mais radical que fiz foi cair em cheio numa poça de água com aulas a seguir, descer, com um colega, os passeios da Avenida 25 de abril, em Viseu, aproveitando as lombas formadas pelas raízes das árvores para mais adrenalina, descer a Rua Direita a toda a velocidade matraqueando as rodas nas divisórias das lajes de granito e percorrer, sem cair, na escola, um muro de 25 cm de largura e 25 m de comprimento.
Cheguei a pensar economizar o dinheiro das senhas de almoço até ter o suficiente para comprar um skate. A fome e a consciência, talvez mais a fome, venceram.
O Tony Hawk é dois anos mais velho do que eu.
Hoje ninguém faz tic-tac.
Com 34 divirto-me com o meu irmão de 12 quando partilhamos juntos uma descida resguardada do nosso bairro. De pé dá mais pica. Sentados, fartamo-nos de rir com os despistes.