20.11.07

STOP

Não deixa de ser paradoxal que, talvez a mais universal das palavras, encerre no seu cofre semântico a solução, se não para todos, pelo menos para muitos dos problemas universais.
Num mundo onde a proactividade, para além de estar na moda, se calhar mais a palavra (o palavrão) do que o conceito, é estimulada e elogiada, ser proactivo deveria ser, muitas vezes, parar.
Fazer qualquer coisa, a qualquer custo, sob o pretexto de que não se pode parar, de que assim o mundo não anda para a frente, soa-me um pouco a trapalhice, a comportamento industrializado, como se as acções e os seus resultados devessem depender de uma unstoppable linha de montagem intelectual e não de um very stoppable e artesanal tear racional.
A inércia é uma força.
Culpa mea est.

15.11.07

Em 1929 era assim

"Alguns dos senhorios eram afáveis, porque detestavam o que estavam a fazer; outros mostravam-se irritados, porque lhes repugnava serem cruéis, e ainda outros eram frios, porque de há muito tinham descoberto que se não podia ser proprietário de terras sem se ser frio. Mas todos eles se sentiam apanhados numa teia mais poderosa do que eles próprios. Alguns odiavam os algarismos que os impeliam, outros tinham medo, e outros adoravam os algarismos porque lhes serviam de refúgio para não pensarem nem sentirem."

Steinbeck, em "As Vinhas da Ira"

14.11.07

Da escola, do ensino e dos professores

Não acredito que haja professores a pôr o seguinte em prática. Os professores, regra geral, olham para os alunos, preocupam-se com eles, tentam ajudá-los, alheando-se, pelo menos durante o cumprimento desse intento, das questões que os prejudicam e tentando fazer o melhor apesar de muitos os rebaixarem diminuindo-os na sua dignidade. Todavia, o que abaixo versa é, mais do que tudo, um sentimento de revolta contra uma máquina da qual é praticamente impossível alguém defender-se. Talvez resultasse se posto em prática. Eu não tenho coragem. Além disso, tento dissociar as crianças da irresponsabilidade de alguns pais e da irrazoabilidade de algumas medidas legislativas. Nem sequer se trata de pagar o mal com o bem. Sem vaidade nem presunção (quem quiser que me julgue), trata-se de tentar moldar o futuro na sua génese. Cuidar da planta na sua infância. Ter esperança.
Ensinaram-me a ser pedreiro que constrói catedrais, não apenas a levantar paredes.


Recebido por email:

UMA EXCELENTE FORMA PARA LUTAR CONTRA O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE!

O Estatuto da Carreira Docente e os Generais

"A plataforma negocial de 14 sindicatos não chegou a acordo com a ministra sobre o novo Estatuto da Carreira Docente.E muito bem. O que se pretende é aniquilar completamente o que resta da dignidade de ensinar. Já nem falo do dinheiro que se perde. A dignidade de 400 mil professores é que não se admite que uma qualquer ministra, que não o será mais do que 4 anos, destrua. Agora: há variadíssimas formas de luta. Desde já proponho uma monumental greve de "zelo", cumprindo apenas os serviços mínimos na sala de aula. Se os pais não se importam com a vida escolar dos seus filhos talvez seja a única forma de o começarem a fazer. Dá-se a matéria mínima, ao ritmo mínimo, tiram-se as dúvidas a quem estudou, não se repetem exposições. Ou seja: temos que fazer com os alunos aquilo que a ministra quer fazer connosco, a ver se os pais entendem a nossa luta e se gostam que o mesmo aconteça aos seus filhos. Estabeleceremos cotas em cada turma: em 20 alunos, só daremos 10% de nota máxima, tal como a ministra faz connosco. Portanto, se houver mais do que 2 alunos que mereçam 5, paciência! Ficam com 5 os dois melhores. Mas se um deles faltou mais de 3 dias por doença, terá que ter paciência. Fica com 4 e sobe o seguinte a aluno-titular. Os outros cotam-se, proporcionalmente, por aí abaixo. 10% de nível 5 e 20% de nível 4. O resto vai corrido a 3. Se uma turma for muito boa e tiver 10 alunos que merecem 4 e 5, outra vez paciência. «Nem todos podem chegar a generais», não é?Dois ficam com 5, quatro com 4 e os restantes terão 3. Mesmo que, também esses merecessem 5. Faltaram? Quem os mandou adoecer a eles ou aos pais? Quem mandou o carro avariar e chegar tarde uma vez? Quem mandou o irmão mais novo apanhar sarampo? É cotas, é cotas! Não foram os pais que aprenderam com a ministra que «nem todos podem chegar a general»?Pois então? Os seus filhos também não!"

6.11.07

A quinta frase completa da página cento e sessenta e um do livro que estiver mais à mão

O desafio foi-me lançado pelo Luisão. Para ser honesto na resposta, suponho que terei que ser imediato. Na acção e na resposta. Ou desvirtua-se a coisa. A verdade é que acabei de ser desafiado. E encontro-me numa sala de professores repleta de armários repletos de livros, a maioria manuais escolares. Preferia estar em casa, junto do livro que leio no momento, até porque estou a gostar bastante. Isso não impediria que a frase fosse qualquer coisa como "O cavalo resfolegou.", ou "Aquela janela em momento algum daquela noite tinha sido aberta.", mas, se calhar, a piada está nisso mesmo, embora eu pense que talvez a piada esteja em ver até que ponto o acaso providencia pensamentos ou ideias curiosas, mais se provindos de páginas improváveis.
Luís, podias esperar um bocadinho! Que eu chegasse a casa. Mas não...
Pronto, cingir-me-ei às regras. Mais à mão talvez seja o conteúdo da minha pasta. Na minha pasta há manuais de Língua Inglesa e de Língua Portuguesa. Ainda os livros de exercícios. Bem tramado, não sei o que escolher. Vou espreitar...
Aqui vai. A página 161 do manual de Língua Portuguesa "Voando Nas Asas Da Fantasia 6" é um índice. De um arquivo de informações e explicações sobre Funcionamento da Língua (vulgo gramática, perdoem-me o esclarecimento). À falta de frases nesta página, transcrevo a quinta linha completa:

Postal 163

Magnífico. Pior só se fosse:

Cromo 1

Deixo o desafio ao Alexandre. Aguenta-te e não sejas batoteiro! O manual de montagem de cordas em guitarras também conta!