29.5.08
Seis EUREKOS!
"O Fio da Navalha", de Sommerset Maugham.
"Paris é uma Festa", de Hemingway.
Três euros cada.
Com o bónus da dignidade adquirida pelos anos e pelo uso. Com verdadeiro cheiro a livro.
Vivam as feiras de antiguidades!
P.S.: também gosto de novidades; aceito qualquer generosidade que sinta o impulso de me oferecer o último de um homónimo: "Já Não Se Escrevem Cartas de Amor", de Mário Zambujal. De qualquer modo, uns cinco anitos, se tanto, fá-lo-ão renascer numa qualquer banca de compra, troca e venda. E um dos meus defeitos é não gostar de esperar.
27.5.08
Ah, és...
A minha profissão actual é absorvente, mas não tanto que me reduzam apenas a tal.
Fora da escola, não gosto que digam que sou professor nem gosto de dizer que sou professor. "Professor" é uma coisa que eu faço por gosto (por enquanto) para ganhar, a contragosto, pouco dinheiro (tudo é relativo, eu sei, mas também sei que sou mal pago).
Nunca deviamos dizer "sou isto" ou "sou aquilo" quando nos referimos à profissão. Deviamos sempre dizer "trabalho como tal" ou como "tal". Até porque, ao fazê-lo, usando o verbo ser, e façamos o que fizermos, trabalhemos no que trabalharmos, estamos a reduzir-nos a muito pouco. Quer dizer, a ainda mais pouco (?). Acho eu.
26.5.08
Ainda "O Perfume"
Vi o filme. O muito aquém já esperado. Haverá película que resista a uma leitura prévia?
23.5.08
Onde se fala de trabalho a fazer fora do expediente, do tempo necessário para tal e da ausência de recompensa indubitavelmente justificada
60 Provas de Aferição para corrigir.
50 horas de trabalho necessárias, diz quem sabe.
0 euros de remuneração por acréscimo de trabalho.
Todos temos de ajudar a pagar os 700 euros por dia que, ao que parece, recebem os jogadores ao serviço da Selecção Nacional.
21.5.08
Isto não é um título
Chego à escola e recebo várias notícias: que foi um corropio no dia anterior para me tentarem telefonar (haja um dia); que serei classificador das Provas de Aferição (hajam poucos); que tenho uma reunião de tal esclarecedora às 16 horas (antes hajam).
Chego à reunião e há várias coisas a fazer: conhecer critérios de classificação; aprender como aplicá-los; analisar casos práticos.
Chego aos casos práticos: pacíficos; nem tanto; subjectivos.
Chego aos subjectivos: fiquemo-nos por uma questão de atribuição de um título. Analisam-se diversos e respectiva propriedade na atribuição. Destaca-se um, por isso polémico, que sendo, quase consensualmente considerado adequado, não o deve ser, ao que parece, principalmente por ser extenso. Ora, um título pode ser adequado ou não; pode sintetizar, ou não, as ideias veiculadas pelo texto que encabeça; pode revelar-se insuficiente, incompleto, equivocado; pode, por outro lado, ser brilhante ou genial. Mas inadequado pela extensão? Mesmo quando imbuído do espírito das palavras que antecede?
Estarei enganado? Não me admiraria.
Deixo aqui, todavia, dois títulos de capítulos, pouco sintéticos em palavras, não meus, mas de Umberto Eco, em O Nome da Rosa. Se há algo que salta à vista nesta obra é a sua estrutura indisfarçadamente preparada e propositadamente evidenciada. Se há algo que se destaca pela invulgaridade são os títulos dos capítulos: na forma, no conteúdo, na extensão. Escolho estes dois porque me fizeram rir. O segundo dir-se-ia feito de propósito para este dia e para este post. Inadequados? É ler o livro. Ou os títulos. Só por isso vale a pena.
"Onde se fala ainda com o Abade, Guilherme tem algumas ideias mirabolantes para decifrar o enigma do labirinto, e o consegue de modo mais razoável. Depois come-se queijo em pastelinhos." (p. 197, Colecção Mil Folhas, Público)
"Onde, para resumir as revelações prodigiosas de que aqui se fala, o título deveria ser tão longo como o capítulo, o que é contrário aos costumes." (p. 439, idem)
20.5.08
Das Parfum
Dir-se-ia que a obra de Süskind foi salpicada pelas artes de Grenouille, tal a publicação e tal o magnetismo, constato.
O famoso, naturalista, impressionante e muito bom entretenimento de fim-de-semana, com boa encadernação a la Círculo de Leitores, custou-me 4 ou 5 euros, por aí, há uns tempos, numa feira de antiguidades. A publicidade tinha sido feita um ano antes por um colega que tinha visto o filme. Muito aquém, apostaria. A ver, como dizem os espanhóis.
Segue-se uma prenda de Natal: "Never Let Me Go", de Kazuo Ishiguro.
19.5.08
O Perfume
Comigo desde Novembro Umberto Eco e a sua abadia universal. Denso. Várias refeições e digestões. Primeiro o Nome, agora a essência. Não apenas da Rosa. Introdução à arte perfumista pela mão do bizarro Jean-Baptiste Grenouille. Formação intensiva de fim-de-semana. Résteas apenas para T.P.C.. Ânsia adiada. Interferências correctivas entretanto.
