14.3.08

Poema

A proposta era escrever um poema com algum auxílio (completando frases e ideias) respeitando a estrutura e o espírito do poema original ("Aquela Nuvem", de José Gomes Ferreira) e dando largas à imaginação. Uma das sensibilidades:

Aquela Nuvem

Aquela nuvem
Parece um avião...

Ah! Então quero pilotá-lo!

Aquela?
Mas já não é um avião,
É um barco.

Não faz mal.
Queria conduzi-lo.

Aquela?
Mas já não é um barco,
É um dragão
A soprar fogo para o Estádio da Luz.
Onde acabaram de jogar o Benfica e o Sporting. [...]

Weekend Wish


MBS Atom 95 mountainboard

13.3.08

E no entanto

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."
Fernando Pessoa, "Tejo", 1.ª Estrofe

D'ouro

Subi e desci o Douro há dois anos. Para cima encarrilado, para baixo embarcado.Um dia, do Porto à Régua e daqui à Invicta.
Tinha lido, anteriormente, que a viagem era muito agradável e que as paisagens deslumbrantes. São. Embora a primeira um pouco cansativa num dia de calor - sempre são sete horas de descida.
Agradado com o que vi, não fiquei, contudo, deslumbrado. Não quero dizer com isto que a paisagem fica a dever aos elogios que lhe tecem, mas parece-me que a pena de quem os produziu não reside perto daquelas bandas. Um autóctone ou, pelo menos, alguém que tenha crescido no norte rural, ou com ele tenha tido contacto, toma como naturais e garantidas aquelas belezas. Já quem habituado está ao betão e às irregularidades urbanísticas da capital, de onde provem a publicação que bendisse as paisagens referidas, mais facilmente se deslumbra.
É a oferta e a procura. Tudo se tem e nem tudo se tem na capital. Tudo se tem e nem tudo se tem na cidade. Tudo se tem e nem tudo se tem no "campo". Tudo e nada se tem dependendo daquilo que se quer ter. E nunca se pode ter tudo.

O elo mais fraco

Não há algo de estranho no facto de aqueles que há menos tempo foram avaliados, porque há menos tempo fizeram o seu estágio e profissionalização, serem aqueles que o Ministério da Educação quer avaliar primeiro? Os professores contratados?

10.3.08

Sr. Primeiro Ministro José Sócrates

"Ler jornais é saber mais!", ouvia e lia eu ainda estava do outro lado da sala de aula e, já o sabia, era uma forma de incentivo à leitura. Deu os seus frutos.

Apesar de estar aflito com os testes que ainda tenho para corrigir e avaliar, mesmo tendo roubado muito ao meu tempo não remunerado de fim-de-semana, roubo agora algum ao tempo de correcção para lhe enviar duas lições fresquinhas que, a meu ver, encaixam em qualquer mínimo de sensatez. Aqui vão:

"A democracia não se esgota no voto",
de André Freire, professor de Ciência Política no ISCTE

"A expressão de descontentamento na rua não pode estar assim tão longe das preferências populares como alguns alegam"

"...é imperioso concluir que a gigantesca manifestação de cerca de 100 mil professores não só demonstra uma enorme insatisfação de cerca de dois terços desta classe profissional, como evidencia que os mecanismos de concertação não têm funcionado, dando razão aos sindicatos. Mas esta manifestação, com pessoas de todos os partidos e quadrantes ideológicos (nomeadamente muitos votantes PS, em 2005...), foi, também uma grande lição de participação cívica."

"Contentes, agora?",
de Rui Tavares, historiador

"Um discurso que nos diz que todo o ensino público está mal não é nem nunca será reformista. O verdadeiro reformismo é realista: quer concentrar as suas forças no que está mal e não disparar em todas as direcções. E no ideal, o reformismo é progressista: só funciona quando dá às pessoas um horizonte de expectativas atingível e honesto. Quem quer um governo reformista não pode consegui-lo aliando-se à opinião mais pessimista e destrutiva, ainda que tacticamente. Se o fizer, começa com demonstrações de autoridade vácuas e acaba batendo com a cabeça no muro. Que isto sirva de lição..."

in Público, 10.03.2008

P.S.: Boas leituras. Sr. Sócrates, gosto deste seu apelido, faça-lhe justiça...

7.3.08

Weekend Wish


Focus Dirt Decision 9.9

A resposta verdadeira


- Mas então - ousei comentar - estais ainda longe da solução....
- Estou pertíssimo - disse Guillherme -, mas não sei de qual.
- Então não tendes uma única resposta às vossas perguntas?
- Adso, se a tivesse ensinaria teologia em Paris.
- Em Paris têm sempre a resposta verdadeira?
- Nunca - disse Guilherme -, mas estão muito seguros dos seus erros.

Umberto Eco, "O Nome da Rosa"

6.3.08

Ruído

Quando em todas as casas
Houver pão

Quando em vez de gato
Se puder caçar sempre com cão

Quando para o sexo dos anjos
Existir definição

Calar-se-á grande parte do mundo
Terminará muito ruído
Restará apenas a verdadeira discussão