Leave your guns at home, Bill
Sometimes I wished my tongue was a gun...
"Penso que a colectivização foi um erro, um fracasso. Mas não podiam confessá-lo. Para esconderem esse fracasso tiveram de recorrer a todos os meios possíveis de intimidação para desabituarem as pessoas de julgar e de pensar, para as forçar a ver o que não existia e para provar o contrário da própria evidência. E assim se explica a crueldade sem precedentes do período de terror de Iejov, a promulgação de uma constituição destinada a não ser aplicada, a concessão de eleições que não se baseavam em nenhum princípio eleitoral."
in Dr. Jivago, de Boris Leonidovich Pasternak, XVI Parte, Cap. II
Hoje vou sair à noite.
Para dar aulas como professor contratado, já o disse aqui, preciso de certificar, anualmente, através de análises sanguíneas, urínicas e cardíacas, seladas com a autoridade da médica de família, a minha robustez física e psíquica (não me perguntem em que partes do sangue, da urina, ou em qual das minhas oitenta pulsações por minuto conseguem perscrutar a minha saúde mental, porque eu não imagino). É exigida (com bons modos), também, certificação da situação criminal, por meio de documento competente.
Os professores dos quadros, assim que emoldurados, não precisam de atestar nenhuma destas saúdes.
Mais do que por qualquer outra razão, é por isso que eu desejo o vínculo com o Ministério da Educação. Pela garantia desta valiosa e prolongada moldura de vitalidade, lucidez e inocência.
Vou à médica. De noite, sim.
Vou-lhe pedir que me tatue um ISO9001 no ombro.