
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!"
Charles Chaplin
17.1.12
21.7.11
Lealdade
"...pois antes do amanhecer ordenou que metessem as crianças numa barcaça carregada de cimento, levaram-nas a cantar até aos limites das águas territoriais, fizeram-nas voar com uma carga de dinamite, sem lhes dar tempo de sofrer, enquanto continuavam a cantar, e quando os três oficiais que executaram o crime se perfilaram diante dele com a novidade, meu general, de que a sua ordem tinha sido cumprida, promoveu-os dois postos e condecorou-os com a medalha de lealdade, mas a seguir mandou-os fuzilar sem honra, como a delinquentes comuns, porque há ordens que se podem dar mas não se podem cumprir, catano, pobres crianças."
Gabriel García Márquez, O Outono do Patriarca, Colecção Mil Folhas/Público, pp. 95
22.6.11
"A sua presumível anuência à proposta do chefe de serviço era, portanto, a prova de que a cobardia se ia tornando lenta mas seguramente uma regra de conduta e deixaria em breve de ser considerada como aquilo que de facto era."
Milan, este Verão? Quem dera!
Milan, este Verão? Kundera.
(Nada de preocupações. A passagem retrata apenas uma das consequências da implantação forçada do Comunismo num país invadido pelo império soviético. Estamos, felizmente, imunes, no nosso universo político-social moderado.)
15.6.11
21.9.10
Animalário Universal do Professor Revillod
De Javier Sáez Castán
Textos de Miguel Murugarren
Para miúdos e graúdos.
Quem não comprar perde.
Perplexo
CANÇÃO PARA AS MINHAS FILHAS
À Sara e à Matilde
Como sereis minhas filhas
quando o meu poema terminar?
Como sereis
agora mesmo
daqui a 5 minutos
5 anos
uma medida qualquer
impalpável
dessas que vestem o tempo
como se o tempo pudesse ser vestido?
Como sereis então
nesse tempo que eu não sei dizer?
Mais claras? Mais azuis? Mais aves?
Tereis já uma ruga pousada junto à boca
e o cântaro da água entornado no olhar?
Que sol trará a luz às vossas mãos?
Que sal tomará conta da música do corpo?
Quem vos cantará
quando eu fechar a casa dos meus versos?
Viverá nos vossos dedos o estilete
o aparo
o bico de carvão
com que sobre o mar se escreve
o desejo de ser livre?
Haverá uma canção que venha em vós
romper a noite
e instaurar a transparência do ar?
Sede espertas e vivas, filhas minhas!
Não deixeis que vos roubem
a alegria do abraço.
Não vos torneis funcionárias!
Cantai!
Sede ciganas
e levai a pátria atrás de vós
na carroça dos mais belos sonhos
que o vosso peito engendrar!
Entrai pelas florestas e tocai em cada tronco
para que ele
de folha em folha:
vos reconheça e diga:
estas são nossas irmãs! Vamos dançar!
Amai como quem cavalga o vento!
Sede mágicas e grandes por dentro do coração!
Não deixeis que injustiça ou mesquinhez
façam ninho à vossa porta.
Ensinai os vossos filhos
a ser pedras
oceanos
a ser sábios.
Ensinai-lhes os caminhos da bondade
e fazei-los sorrir em cada esquina.
E por fim
queridas filhas
se para tanto chegar
o lado mais claro do meu nome a arder
levai-o em vossas mãos
e deixai-o junto ao mar
para que as ondas o tornem
num barco feliz
eternamente a navegar.
José Fanha
Ouvi-o contar histórias e ler poesia cheio de doçura e de emoção. Troquei três palavras com o homem que parece ter saído, ele mesmo, de um conto. Pela imagem, pela voz, pela alma. Gostava de ter trocado mais.
22.3.10
O "Bullying" é um problema das escolas
"Não se trata de um fenómeno exclusivamente americano, mas global, com a competição a nível internacional a fazer baixar os custos de mão-de-obra que cria forças económicas que pressionam as famílias. Vivemos uma época de famílias financeiramente sitiadas em que ambos os pais trabalham longas horas, deixando os filhos entregues a si mesmos ou a ver televisão; em que cada vez mais crianças crescem na pobreza; em que a família monoparental está a tornar-se cada vez mais vulgar; em que cada vez mais crianças são deixadas em creches tão mal dirigidas que na prática equivalem ao abandono. Tudo isto significa, mesmo para os pais melhor intencionados, a erosão dessas incontáveis e pequenas trocas entre pais e filhos que estão na origem das competências emocionais.
Se as famílias deixaram de ter a capacidade efectiva de preparar todas as nossas crianças para a vida, que podemos nós fazer? Um olhar mais atento às mecânicas dos problemas específicos sugere o modo como determinados défices nas competências sociais ou emocionais lançam as bases de problemas graves, e como medidas correctivas ou preventivas bem direccionadas podem ajudar a manter as crianças no bom caminho".
DANIEL GOLEMAN, Inteligência Emocinal
Este texto tem treze anos. As famílias não ficaram financeiramente sitiadas com a recente crise mundial. A estratégia sempre foi a mesma nos negócios: produzir ao mais baixo custo. Imagino que as leis que proíbem a escravatura sejam ainda um engulho aos olhos de muitos. Mas há escravatura. Escravatura remunerada. Salário mínimo. Escravatura legal. Salário para comer e para beber. Os escravos também comiam e bebiam. E não pagavam contas nem rendas.
Conta, peso e medida
"Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e da maneira certa - isso não é fácil".
ARISTÓTELES, Ética a Nicómaco
3.3.10
Pilim
Pais e Encarregados de Educação há que não merecem a atenção que os professores e, principalmente, os Directores de Turma dispensam aos seus (des)educandos indisciplinados.
Demitindo-se da educação dos mesmos, têm o descaramento de se mostrar surpreendidos com aquilo que consideram a excessiva procupação dos docentes. Não têm a noção de que grande parte da carga de trabalho de um Director de Turma se resume à dedicação à minoria de alunos desrespeitadores e cábulas, quando esse tempo poderia ser dedicado ao acompanhamento daqueles que realmente estão interessados em aprender.
Salvo excepções, a escola não é tão má como a pintam. O que existe é uma minoria de alunos que, pelo agastamento que provocam, pelo tempo que roubam, pelo trabalho que dão, fazem parecer a escola má e, por vezes, um lugar onde se faz tudo menos ensinar, preocupação que devia ser a principal.
Não sei que soluções podiam ser postas em prática, mas a verdade é que me parece que a irresponsabilidade e o desrespeito não deviam ser compensados com maior atenção, mas com responsabilização e penalização construtivas. Os alunos merecem ajuda quando têm dificuldades de aprendizagem e, no entanto, a escola vê-se obrigada a ocupar o seu tempo, a grande, se não a maior parte do seu precioso tempo, a resolver problemas relacionados com alunos literalmente mal-educados, em vez de o ocupar a prestar apoio aos que, interessados, apresentam dificuldade em aprender.
Quem sabe sanções pecuniárias aos pais e Encarregados de Educação resultassem? Afinal, não é por tal castigo que as massas colocam o cinto de segurança? Que estacionam correctamente? Que pagam impostos? Que vão cumprindo a lei? Não é com medo de ficar sem o precioso pilim? Ou será por inocente respeito?
Não estariam mais atentos os progenitores aos erros das suas crianças se em vez de mais um recado nas cadernetas, um aviso de faltas nas caixas do correio ou a comunicação de uma suspensão, se subtraissem uns trocos aos seus bolsos?
Talvez não...
22.2.10
Fui a uma formação no sábado. Uma formadora, cerca de vinte formandas, duas crianças, um formando (adivinhem quem). Não, não era uma formação para vendedoras de Tupperware. O cenário, ainda que esperado, fez com que me apetecesse não ter ido. Por mais másculo que sejas, estar em tal minoria é sempre arriscado. E assustador. A formadora começou a coisa com cantigas. Literalmente. Coisa normal no Inglês. Mau presságio, no entanto. Uma certa aflição. Cantou e pediu repetição à plateia. Calei-me. Não quis destoar com graves no afinado coro feminino. Safo, pensei. Acho até que agi com delicadeza, concluí. A cantiga era de perguntas e respostas. "Agora, as senhoras cantam a primeira parte e os senhores (que senhores?!) a segunda...", lembrou-se a senhora lá da frente. Embaraçado, engasgado, solo de graves. "Agora, os senhores perguntam e as senhoras respondem..." Desespero, vergonha, e mais um solo. Se ao menos não tivesse feito a barba no dia anterior...
9.11.09
"Quando chego à praça só lá estão os pombos, e parecem conhecer-me tão bem que o meu lugar é o único que não aparece de manhã como se tivesse nevado, perdido debaixo da caca dos pássaros. Eu acho que os pombos agradecem as migalhas que lhes junto em casa e que lhes trago todas as sextas-feiras num saco de plástico. Acho que os pombos sabem, e por isso respeitam o meu lugar, ao contrário do que se passa no sítio do mudo que engraxa sapatos. Ele está sempre a atirar-lhes pedras e tenta agarrar os mais novinhos. Diz ele que cozinhados com muito alho são óptimos para os pulmões. Eu acho que os pombos não gostam do mudo; o lugar dele aparece de manhã sempre coberto de merda branca, o que o enfurece imenso."
Luís Sepulveda, "Encontro de Amor Num País Em Guerra" - "Um Homem Que Vendia Doces No Parque"
14.10.09
13.10.09
Merlin's flu
Pelo menos um condão se pode atribuir à varinha da gripe H1N1: o do súbito aparecimento, nas escolas, de sabonete e de toalhas de papel nas casas de banho dos alunos. Talvez mesmo de água, nalguns casos.
8.10.09
Voltou a chuva.
Mas não veio do céu
ou do Oeste.
Voltou da minha infância.
A noite abriu-se, um trovão
comoveu-a, o estrondo
varreu as solidões,
e então
chegou a chuva
da minha infância,
primeiro
numa rajada
raivosa, depois
como a cauda
molhada
dum planeta,
a chuva
tic tac mil vezes tic
tac mil
vezes um trenó,
uma vasta pancada
de escuras pétalas
na noite,
subitamente
intensa
crivando
a folhagem
com agulhas,
outras vezes
um manto
tempestuoso
tombando
no silêncio,
a chuva,
mar do céu,
rosa fresca,
nua,
voz celeste,
violino negro,
formosura,
amo-te
desde criança,
não por seres boa,
mas pela tua beleza.
Caminhei
com os sapatos rotos
enquanto os fios
do céu escancarado
se desatavam sobre
a minha cabeça,
traziam-nos
a mim e às raízes,
as mensagens
das alturas,
o húmido oxigénio,
a liberdade do bosque.
Conheço
os teus desmandos,
o buraco
no telhado
gotejando
nos quartos
dos pobres:
ali desmascaras
a tua beleza,
és hostil
como uma
celestial
armadura,
como um punhal de vidro,
transparente,
ali
conheci-te de verdade.
No entanto,
continuei
apaixonado
por ti,
de noite
fechando os olhos
esperei que caísses
sobre o mundo,
esperei que cantasses
somente para o meu ouvido,
porque o meu coração guardava toda
a germinação terrestre
e é nele que se fundem os metais
e o trigo se levanta.
Amar-te, no entanto,
deixou-me na boca
um gosto amargo,
amargo sabor de remorso.
De noite, aqui em Santiago,
somente as povoações
de Nueva Legua
se desmoronaram,
as vivendas
cogumelo,
amontoados
fragmentos de ignomínia,
ao peso da tua cólera
desmantelaram-se,
as crianças
choravam na lama,
as camas encharcadas
dias e dias,
as cadeiras quebradas,
as mulheres,
o lume, as cozinhas,
enquanto tu, negra chuva,
inimiga,
caías desalmadamente
sobre a nossa miséria.
Eu creio
que um dia,
que marcaremos no calendário,
terão abrigo seguro,
sólido tecto,
os homens no seu sono,
todos
os adormecidos,
e quando de noite
a chuva
regressar
da minha infância
cantará nos ouvidos
doutras crianças
e alegre
será o canto
da chuva no mundo,
e trabalhadora,
proletária,
ocupadíssima,
fertilizando montes
e planícies,
dando força aos rios,
engalanando
o suave arroio
perdido na montanha,
trabalhando
no gelo
das nevadas,
correndo sobre o lombo
do gado,
engrandecendo o germe
primaveril do trigo,
lavando as amêndoas
ocultas,
trabalhando
denodadamente
e com delicadeza fugidia,
com mãos e com fios
na preparação da terra.
Chuva
passada,
ó triste
chuva
de Loncoche e Temuco,
canta,
canta,
canta sobre os telhados
e as folhas,
canta no vento frio,
canta em meu coração, na minha confiança,
no meu telhado, em minhas veias,
na minha vida,
eu não te receio,
resvala
para a terra
cantando com o teu canto
e com o meu
porque os dois temos
trabalho nas sementes
e partilhamos
o dever cantando.
Pablo Neruda
7.10.09
What is Nonsense?

"What is Nonsense? I know when you do not ask me. I know that in infancy it is as the very air we breathe; that it cheers and strengthens us in the long weary working days of manhood; and brightens and gladdens our old age. But how can I bring it within the words of a definition? If the question is pressed, i must answer it with another. What is Sense?"
Edward Strachey, in Edward Lear's "Complete Nonsense" introduction
2.10.09
Assuntos séries da minha vida IX
Verão Azul, em honra do Verão que perdura (embora este calor, no trabalho, já me esteja a incomodar um bocadinho).
