Avaliação dos docentes pós manifestação
Dou razão a Sócrates. Às vezes é um orgulho ser-se inflexível. Só que quando não se tem razão a coisa torna-se em pouco inteligente teimosia. Ah, e quando se tem razão é possível juntar tacto e humildade à inflexibilidade.
Embora parte interessada, tenho que ser inflexível em afirmar que, no que toca ao modelo de avaliação que está a ser implementado, o Sr. Primeiro Ministro não tem razão. Tem coragem, é determinado, tenaz, mas não tem razão. Bastava que convidasse alguns docentes para uma conversa pessoal sincera e que esses docentes transportassem com eles as suas opiniões com a mesma coragem com que empunharam bandeiras no sábado passado, e Sócrates, como pessoa ponderada que me parece, não poderia, perante a realidade, permanecer inflexível. É que às vezes dá-me a impressão de que ninguém consegue fazer passar a mensagem da grande injustiça que se está a praticar (o que me faz gostar cada vez menos de sindicatos e de sindicalistas cujo trabalho não é nas escolas). Dói-me cada vez mais a impotência de não se conseguir fazer perceber que ninguém (salvo excepções, admito) está contra uma avaliação, mas a desfavor de processos averiguadores pouco claros e nada uniformizados que provocarão resultados diferentes para práticas iguais, com consequências talvez irreversíveis em termos de carreira.
Perdoem-me a pessoalização, mas na avaliação a que fui sujeito no ano que passou, que considero boa, foi-me dito que aquilo (a nota) deveria ser superior, e à minha pergunta "Porquê que não é?", a resposta foi "São as quotas...". Pois, quotas. Parece-me que tudo o resto é claro. Quem é que quer ser avaliado quando para empenhos iguais existirão julgamentos diferentes?
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